Se há uma coisa que pode me trazer risco é minha imaginação.
Principalmente quando estou caminhando. Meu pensamento voa tão longe, que não é estranho ouvir, de vez em quando, uma buzina ao
atravessar uma rua qualquer.
Porém, desta vez a coisa foi um pouco mais séria, eu não estava caminhando...eu estava dirigindo! Para minha
sorte, meu devaneio aconteceu durante uma parada em um semáforo.
O
sinal ficou vermelho, fui parando o carro e logo veio aquele pensamento típico: “Humpf...por
pouco não pego o sinal verde...". Então, comecei a observar o céu daquele fim de tarde ensolarado.
O céu estava pintado de um azul claro, porém imponente, as nuvens decoravam a cena com seu branco
suave, ao longe podia se ver o contorno de um morro marrom desbotado onde o
verde escuro da vegetação o
cobria parcialmente.
Comecei a me sentir tão bem com aquela cena, uma felicidade e um alívio imediato cobriram a minha mente.
Você deve estar se perguntando o porquê do alívio, não é mesmo?! Bem, fiquei imaginando se a situação
fosse outra; e se o céu não pudesse mais ser daquele jeito que eu estava
contemplando? E se o mundo estivesse passando por um momento de destruição, próximo
ao seu fim, em que não
haveria mais dia, somente noite.
E se
algum tipo de radiação
tivesse alterado a cor do céu e em
vez de azul ele estivesse vermelho. Vermelho?! Imaginem um céu vermelho, acho que seria cansativo para a vista, ou
então roxo? Não, não,
seria enjoativo de ser ver.
Fiquei pensando se as outras cores
seriam realmente irritantes para os nossos olhos ou se já estamos
condicionados ao azul, onde nenhuma outra cor seria aplicável?
Que
tal um céu vermelho, nuvens verdes, sol roxo
e morros amarelos? Argh! Acho que não.
Enfim,
o semáforo abriu seu verde sorridente, interrompendo meu pensamento. Foi quando parti dali com um sentimento de imensa
felicidade, dando uma última olhada naquela harmoniosa e perfeita combinação de cores que se formava ao meu redor: o céu continuava azul, as nuvens brancas, o sol brilhava
seu amarelo radiante e o morro continuava lá,
desenhando o horizonte com seu marrom desbotado.


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